quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Antes, não se podia estacionar na esquerda!

Sentei-me no lancil, daquele passeio, que acompanhou as brincadeiras e o crescimento de uns quantos rapazes, onde me incluo e que por anos foi laboratório de sonhos.



Olhei em volta e procurei um a um, onde estariam os carrinhos e a bola? De repente quis brincar, como fazia em tempos idos, mas já não estava lá, nenhum dos Águias de São Dinis. A travessa também já não é a mesma, agora até se estaciona na esquerda. A Pista onde se corriam os grandes Prémios de carrinhos e sameirinha, estava ocupada pelos automóveis estacionados. Afinal isto mudou mesmo, pensei para comigo! Novas pessoas, pessoas novas, mas não se cruzam, nem se encontram para apreciar, as noites quentes de verão, nas portas das casas. Já não há “águias” que constroem sonhos pela rua.


A musica diz que: -“ …O que foi, não volta a ser…”, é bem verdade, mas uma certeza tenho para mim, o que foi, ficou. Nenhuma das brincadeiras, dos sonhos e traquinices, foram em vão, que tudo isto é um pouco do que sou, do que somos hoje, isso é um capital, que tem um valor incalculável, olho para o cofre interior e lá estão cada um dos que comigo, partilharam esta aventura, cada momento vivido em conjunto, cada sonho partilhado. Esta riqueza que acumulei, no tempo em que ainda, não se parava o carro na esquerda.


Agora, construímos a nossa travessa por outros locais, de outras formas, mas o alicerce construído com os paralelos irregulares da travessa suporta, qualquer adversidade, pois sabemos que os “ Águias São Dinis”, estão por perto.


Este olhar para a Travessa, ajuda-me a perceber e a olhar para o Mundo. Daqui, do passeio, consigo ver tudo


Tirem por favor, os carros do lado esquerdo da rua, de certo existem muitos pequenos sonhadores, que querem ver o Mundo dali.

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